Ela sustenta famílias, anima comunidades, consola os que sofrem e inspira a busca por uma vida mais digna e justa.
Católica, evangélica, afro-religiosa e tantas outras tradições e espiritualidades que aqui florescem formam essa fé plural, que ajudou a forjar o caráter da nossa nação e o desejo de viver em paz, com liberdade, responsabilidade e direitos.
Foi também essa fé que, em momentos decisivos de nossa história, sustentou a esperança na democracia como ato de fé e caminho para a convivência pacífica e solidária entre diferentes.
Acreditamos na democracia e nos direitos conquistados por ela, com seus processos eleitorais regulares e suas instituições que garantem a todos o direito de crer, de não crer, de discordar e de conviver.
Vivemos um tempo em que a desconfiança, a polarização e discursos que fomentam a radicalização e a hostilidade encontram ampla circulação, inclusive em ambientes de convivência religiosa, em grupos de mensagem e nas redes sociais, dividindo famílias e comunidades que deveriam estar unidas por um mesmo propósito.
Esse cenário desafia as comunidades de fé a fortalecerem o compromisso com a verdade, o diálogo e a promoção do bem comum.
Por isso, nós, lideranças e fiéis de diferentes tradições religiosas, a partir de nossos valores sagrados, reunidos pelo compromisso com a fé e com o Brasil, afirmamos publicamente:
Para se juntar a esses compromissos não esperamos que se renuncie às próprias convicções. Pedimos apenas que, a partir delas, se reconheça na democracia um terreno comum e um solo fecundo, onde a fé de cada um possa florescer em liberdade e em respeito mútuo.
Que nossas orações, nossos cultos e nossas práticas espirituais sejam também um exercício de cidadania democrática e plural.
Que a fé que nos anima seja a mesma que nos leva a cuidar da verdade, a respeitar quem pensa diferente e a zelar pelas instituições que garantem, a todos, o direito de viver, crer e conviver em paz.